Se não souber quem é, não vou conhecer mesmo.
Ah, seria legal saber quem é.
Já se passaram dois meses desde que aquele casal de rostos perfeitos - eu ainda acho que são deuses - apareceram na TV no horário nobre parando todas as programações para darem aquela notícia que abalou o mundo com proporções irreais:
“Depois de vários debates e muito se pensar no assunto, eu, minha empresa e o conjunto de pessoas que compõe-a, resolvemos esclarecer ao publico que a partir de amanhã não iremos mais produzir o refrigerante coca-cola.”
Gritos, greves, grotescas mortes. O que quinze segundos interrompendo a novela não fazem com telespectadores viris. Sangue derramado, terror escancarado, os viciados contestando nas ruas, tudo em nome de quê? Em prol de quê?
E foi o caos; minha abstinência chegando a níveis críticos, meu sangue implorando por aquele açúcar escasso, meu suicídio aproximando-se. Lembro, e como lembro, oh Deus, quando todos os grandes mercados foram invadidos e saqueados, as distribuidoras vazias e o mercadolivre.com oferecendo dois litros por dois mil. Que terrível não ter dinheiro ou coragem pra roubar!
Hoje, apenas hoje, depois de tanto tempo, sem explicações, sem indagações, descubro:
Júnior Cunha, O Caos nos Deixa Mudos.